João Silva
REFUGIADOS: UMA RESPOSTA

Nos caminhos percorridos por cada homem há aspectos que confundem os espíritos mais esclarecidos e que muitas vezes são perturbadores de respostas sensatas e oportunas. O Homem, um ser universal, criou algumas vezes regras de autolimitação espacial com a consequente estandardização de comportamentos e perspectivas de enquadramento. Este desenvolvimento, que acaba por ser constrangedor nas oportunidades, gera enormes tensões nos indivíduos, nos grupos e na sociedade em geral. Uma atitude egocêntrica leva a valorizar em excesso o que é de mais intrínseco e a entrar em conflito com o meio circundante.

Efectivamente constata-se, que para os grupos manterem uma coesão de funcionamento é necessário ir introduzindo o factor de agressão externa.

Com estes pressupostos é fácil entender a problemática em que estão envolvidos os refugiados. Vistos por uns como heróis, resistentes a todos os males, são vitoriados e protegidos, vistos por outros como fugitivos são olhados com reserva e até algum incómodo, vistos por outros como salteadores são perseguidos como criminosos.

Independente da cultura de desenvolvimento de cada refugiado há uma constante, que está sempre presente em cada caso. É um homem que não suportou a tensão do ambiente em que vivia e se lançou numa busca permanente de novas oportunidades. As razões objectivas desta mudança e desta aventura, pois de uma aventura sempre se trata, são algumas vezes de difícil compreensão e até de aceitação.

Ora sendo os refugiados uns intrusos nas novas comunidades e por norma intrusos altamente dependentes, as relações que se estabelecem nem sempre são as mais fáceis para se atingirem objectivos de integração.

As dificuldades surgidas são de toda a ordem e é necessário todo um repensar da problemática para que os resultados não se agravem constantemente.

Quando um país está numa situação de desenvolvimento os problemas são de mais fácil resolução, porém quando há um clima de recessão é sempre visto com desagrado e como um desvio de utilização de bens comuns todo o apoio dado aos refugiados.

Porém sendo pessoas terão que ter um acolhimento e tratamento condizente com a qualidade humana.

A acrescentar há ainda a situação destas pessoas estarem num sofrimento bastante intenso, pois um processo pessoal que leva a assumir a decisão de se refugiar noutro país é sempre doloroso e deixa marcas muito profundas.

É importante, que da parte de todos os intervenientes nestes processos haja uma atitude determinada, mas muito compreensiva das várias componentes em presença para que seja possível encontrar um modus operandi.

É inaceitável que um país através da regulamentação admita ter um indivíduo no seu território e não tenha qualquer estrutura que permita meios de subsistência e muito menos de integração. Acontecem situações em que além de legalmente não lhes poder ser atribuído qualquer apoio oficial os indivíduos estão também impossibilitados do exercício de qualquer actividade. Mesmo para as Instituições Particulares não é pacífico a integração em actividades laborais dentro do seu apoio social.

Terá que haver uma evolução da concepção social em termos globais, que inviabilize as razões da necessidade da existência de refugiados ou por outro lado atingir um nível de integração no país de acolhimento que não continue a desenvolver o processo de marginalidade em que o indivíduo já anteriormente foi envolvido.

Sabemos, que nem todas as situações são pacíficas no seu enquadramento de refugiados, mas teremos que forçosamente encarar que só quem está em grande sofrimento pessoal aceita sujeitar-se a todo o processo que vemos desenvolver-se na maioria dos países.

Estas situações ultrapassam a concepção de cada Estado pois inserem-se em toda a cultura social existente em cada grupo.

Se nunca atingirmos uma plenitude de compreensão das razões alheias pelo menos que não desenvolvamos processos de exclusão com carácter legal ou pessoal com intensidades tais, que muitas vezes ultrapassam um enquadramento racional.

Que o nível de informação e suposta comunicação mundial nos aproxime e facilite uma melhor compreensão e aceitação do diferente.



João Silva

Director de O Companheiro