D. Disposições Especiais para Jovens
Os refugiados entre os 14 e os 25 anos necessitam de apoio e disposições especiais. Estão a chegar ao fim da sua vida escolar mas, muitas vezes, sem qualificações académicas. Por vezes, é-lhes vedada a entrada nos graus seguintes de ensino e, consequentemente, são conduzidos para a formação profissional que nem sempre é apropriada ou desejada. Ou, até pior, são forçados a ficar em casa, desocupados, porque já ultrapassaram a idade da escolaridade obrigatória (mais de 16 anos), mas ainda são muito novos para o ensino da língua para adultos (mais de 18 anos). Este grupo tem capacidade e potencial para atingir elevados níveis de motivação mas, se negligenciados, os níveis de motivação podem cair no outro extremo.
Avaliação individual e cuidadosa efectuada com o envolvimento activo e responsável do aluno
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Educação Holística
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Este projecto proporciona uma educação holística bem sucedida aos jovens refugiados |
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Foram reconhecidos como elementos essenciais de ensino, para este grupo etário, o enfoque na identidade de grupo, na integração, nas necessidades de aconselhamento e na avaliação contínua. |
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Foram altamente recomendados os cursos desenhados para jovens refugiados iletrados, ou parcialmente iletrados, que requerem diferentes níveis de apoio. Mesmo as actividades pedagógicas direccionadas para este grupo não conseguiram suprir efectivamente essas necessidades. |
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A ampla disseminação deste projecto é, portanto, muito recomendada. |
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Deveria ser activamente encorajado o potencial envolvimento do aluno nas suas próprias opções educativas e a aceitação da responsabilidade pelo seu desenvolvimento. Esta abordagem deveria ser implementada a partir da avaliação inicial e deveria ser consistente, passando por todas as actividades pedagógicas. |
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É encarado como essencial que se efectue cuidadosamente uma avaliação individual para cada aluno, tendo em consideração todas as aquisições no país de origem, e que também se considerem eventuais projectos futuros. |
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Deveria desenvolver-se uma educação holística que estivesse ligada ao prosseguimento dos estudos, formação profissional e/ou possibilidades de emprego. |
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E. Envolvimento da Comunidade de Refugiados na Educação
Para uma escolaridade bem sucedida, o envolvimento dos pais/encarregados na educação das crianças é geralmente considerado na Europa como extremamente importante. Muitas vezes é difícil para os encarregados de educação das crianças refugiadas participarem facilmente por não dominarem a língua nacional, por falta de conhecimento acerca do sistema educativo da sociedade de acolhimento, devido a um entendimento diferente da escolaridade e por falta de tempo que, muitas vezes, é ocupado tentando encontrar emprego ou sobreviver no novo país. Por este motivo, têm de ser dados passos no sentido de assegurar que os encarregados de educação possam participar plenamente nas actividades escolares.
Uma integração bem sucedida na sociedade depende, muitas vezes, da integração na comunidade refugiada. A comunidade refugiada também desempenha um papel importante no ensino das línguas e das culturas minoritárias aos alunos refugiados. Presentemente, esta forma de educação está totalmente separada das escolas do sistema geral de ensino. Uma comunicação e envolvimento mais estreitos entre as comunidades de refugiados e as escolas traria vantagens quer para os alunos refugiados, quer para os não refugiados.
"Aos sábados, levo os meus filhos à Comunidade no sábado para aprenderem a nossa língua. Estas aulas são muito úteis. Eu não quero que os meus filhos esqueçam a sua própria língua". (Painel de Refugiados sobre a Educação)
Ensino da língua aos pais/encarregados de educação durante as horas de escola
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Trata-se de um excelente projecto, dando a oportunidade aos pais de aprenderem a língua nacional, de contactarem os professores, de se familiarizarem com o ambiente escolar e de se manterem melhor informados sobre qualquer mensagem que os professores lhes enviem. |
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Propicia também que os pais tenham um papel participativo na educação das crianças. |
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Deveria ser fácil de implementar em todos os países. |
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Há uma elevada taxa de desistência entre os pais. A razão parece estar no facto das aulas se resumirem a um dia por semana. Numa futura planificação, parece mais apropriado para este grupo alvo que o curso seja de 2 semanas, com aulas todos os dias, ou de 6 semanas, com aulas 3 vezes por semana. |
"Estou muito contente por já falar um pouco de inglês e resolver os meus problemas. Eu costumava ter muitos problemas quando era chamada para reuniões na escola dos meus filhos. Não conseguia compreender muito bem".
(Mulher refugiada no Reino Unido, Entrevistas a Refugiados)Envolver os refugiados como mediadores nas escolas
É importante reflectir sobre a forma como os refugiados são envolvidos na educação. Esse envolvimento não se deveria remeter a contarem simplesmente as suas histórias pessoais, evitando-se deste modo o "voyeurismo" que alimenta mais o superficialismo e o sensacionalismo do que uma atitude analítica e crítica sobre questões complexas.
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Este projecto teve grande impacto nas escolas oficiais de Berlim no referente à sensibilização sobre a problemática da fuga. |
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Seria possível transferir elementos do projecto (em particular a publicação) para outros países. |
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O método usado de envolvimento dos jovens refugiados é controverso. Apesar da sua participação nas escolas ser vista como muito válida, levantaram-se dúvidas sobre se seria fácil motivá-los a participar e se seria problemático usar pessoas como exemplos vivos. |
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Um método fácil, através do qual é possível estabelecer uma boa colaboração entre as escolas e as crianças refugiadas e os encarregados de educação, consiste na abertura dos estabelecimentos de ensino após o horário escolar e aos fins-de-semana para uso da comunidade. |
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Facultar cursos da língua do país de acolhimento para pais / encarregados de educação, leccionados nas instalações da escola (durante as horas de aulas, após as aulas e/ou durante as férias), tem duas vantagens: ao aprenderem a língua, os pais / encarregados de educação podem estabelecer também uma melhor comunicação com o professor. As escolas podem funcionar como "locais de passagem" garantindo que os pais / encarregados de educação possam lá ir por variadas razões, tornando, também para eles, os cursos de línguas mais acessíveis. |
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Os refugiados deveriam ter a oportunidade de agir como mediadores culturais. Este método pode ser usado com sucesso a fim de aumentar a sensibilização acerca da problemática dos refugiados nas escolas e apoiar os professores na sala de aula. |
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| SECÇÃO 2: CURSOS DE LÍNGUAS PARA REFUGIADOS ADULTOS |
A língua é um veículo de integração; se um refugiado pode comunicar na língua do país de acolhimento, as oportunidades de integração aumentam substancialmente. A aprendizagem da língua nacional é, por conseguinte, uma grande prioridade e deveria ser acessível desde a fase inicial do processo de integração. Actualmente, existem grandes diferenças nos serviços educativos à disposição dos refugiados nos vários Estados-Membros e estes variados níveis de qualidade afectam as oportunidades dos refugiados na aprendizagem da língua nacional, no prosseguimento dos estudos, na formação profissional e no emprego.
A. Cursos de línguas financiados pelos governos
A qualidade e acessibilidade dos cursos de línguas disponíveis para refugiados adultos difere enormemente por toda a Europa. No sul da Europa (Itália, Grécia, Portugal e Espanha) os cursos são principalmente do sector não-governamental. Os cursos são facultados numa base ad hoc e destinam-se a todos os recém-chegados, incluindo refugiados e requerentes de asilo. Por vezes, os refugiados têm acesso ao sistema geral educativo. No Norte da Europa (Holanda, Dinamarca, Suécia, Finlândia) os cursos de línguas fazem parte integrante dos programas concebidos pelos governos nacionais e geridos principalmente pelas autoridades locais, com o apoio do sector ONG. Estes cursos são apenas para recém-chegados com autorização de residência e, por conseguinte, estão vedados aos requerentes de asilo, se bem que eles poderão ter acesso a cursos de línguas nos centros de acolhimento.
"O longo processo de determinação do asilo atrasa enormemente a educação. Durante o período de espera, que frequentemente se prolonga até três anos, os refugiados podiam ter aprendido a falar a língua correctamente."
"Na Finlândia, o ensino da língua finlandesa começa imediatamente nos centros de acolhimento". (Painel de Refugiados sobre a Educação)
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Trata-se de um programa de integração para recém-chegados que abrange todo o país, demonstrando que o governo holandês está empenhado em apoiar o processo de integração. |
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É uma abordagem inovadora baseada numa relação contratual entre o recém-chegado e o município. |
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A implementação afigura-se clara em qualquer sistema em que os refugiados têm acesso a benefícios sociais e em que funcione um conjunto de medidas de integração, a nível nacional, prevendo o ensino da língua e da cultura para refugiados. |
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O defeito deste programa consiste na média total de 600 horas que é insuficiente. |
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No entanto, ainda é muito cedo para avaliar os resultados deste programa; há já alguns problemas de comunicação entre os municípios e as escolas de línguas contratadas e, em consequência disso, são leccionadas menos horas, frequentemente 400 em vez de 600. |
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Um outro grande problema é que, durante muitos anos, esses programas concentraram-se integralmente no ensino do holandês, sendo os serviços, consequentemente, inexperientes na oferta de cursos de orientação vocacional e de formação profissional. |
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A guarda das crianças é irregular, de acordo com a disponibilidade do município. O programa é obrigatório e, aqueles que se recusam a participar, estão sujeitos a multas (é deduzido um pequeno montante ao pagamento da segurança social) |
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Ainda que seja difícil avaliar os resultados efectivos e as boas práticas de tal iniciativa numa fase tão inicial, já é positivo que esta unidade tenha sido criada. |
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Deveria ser disponibilizado acesso livre a cursos de línguas a partir do momento de chegada do requerente de asilo. |
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Deveria ser fixado um número mínimo garantido de horas de ensino da língua, coordenado e financiado pelo governo que assegurasse um determinado nível de fluência a todos os refugiados. |
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B. Formação de professores sobre as necessidades dos refugiados
Existem, em muitos países europeus, cursos especiais de formação para o ensino a estrangeiros, mas, muito raramente, esses cursos são concebidos para suprir as necessidades especiais dos refugiados ou de outros alunos vítimas de traumas. Em grande parte do ensino que é facultado aos refugiados é a experiência anterior do professor que pode constituir o elemento mais positivo. Que os professores sejam voluntários ou remunerados não é relevante para esta discussão, desde que tenham experiência, formação compatível e estejam motivados profissionalmente. No Reino Unido, na Suécia e no Luxemburgo, os refugiados são frequentemente formados e recrutados como professores de línguas para adultos ou como gestores de projectos de refugiados.
"Eu queria aprender inglês, mas não tinha coragem de ir à escola. Ficava em casa. Agora estou contente porque consigo sair e estudar. Havia um centro comunitário perto da minha casa. Deslocava-me lá dois dias por semana para aprender inglês. Mas eu desejava ter um professor do meu país, que conhecesse a minha língua. O professor inglês era simpático, mas, nessa altura, eu não conseguia falar uma palavra de inglês, queria que o meu professor me ensinasse a partir do zero". (Um refugiado no Reino Unido, Entrevistas a Refugiados)
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Este projecto mostra a colaboração entre uma ONG e um departamento do governo com vista a melhorar os padrões de ensino da língua aos refugiados através de cursos de formação especificamente adaptados, com apoio e aconselhamento a professores. |
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O material produzido é transferível para outros países da UE, partilhando-se a informação acerca do país de origem, da sua cultura e da sua língua. |
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A formação só está disponível para professores que trabalham nos Centros Residenciais de Refugiados. Não é proporcionado o acesso aos professores dos centros de acolhimento de requerentes de asilo ou de outros serviços de ensino da língua para refugiados. |
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Nenhum dos formadores é refugiado (este é um comentário geral que se aplica à maior parte dos projectos em França). |
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Muitos projectos governamentais centram-se na formação profissional visando o emprego; não existem iniciativas suficientes destinadas a refugiados que não procuram emprego, como pessoas idosas, mulheres com crianças, que poderiam ainda beneficiar de cursos direccionados. |
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Foram alcançados, muito rapidamente, resultados positivos pelas mulheres que participam nestes cursos. As aulas têm um valor acrescido porque muitas vezes as mulheres são o veio transmissor na família, passando, deste modo, o conhecimento para as crianças e outros membros da família. |
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Muitos dos cursos de línguas são ministrados por professores que são refugiados; isto é visto como uma abordagem positiva que é particularmente útil no início do processo de integração, antes de acederem aos cursos do sistema educativo. |
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Os cursos só estão disponíveis para um número limitado de mulheres. |
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Não existem cursos equivalentes para homens, apesar de haver procura. |
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Trata-se de um projecto-piloto de curto prazo |
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As vantagens e desvantagens de usar professores que são refugiados mantém-se uma questão em debate. |
"...os professores naturais do país são, por vezes, melhores como professores da língua por causa da pronúncia..."
"No início do processo de aprendizagem é melhor ter unicamente grupos de refugiados com um professor experiente."
"Os professores deviam conhecer pelo menos três línguas para poderem comunicar com os refugiados que são multilíngues" (Painel de Refugiados sobre Educação)
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Cursos de formação de grande qualidade, especialmente adaptados, deveriam ser acessíveis a todos os professores que ensinam refugiados e requerentes de asilo. |
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A formação e a requalificação de professores deveriam ser tornadas acessíveis aos refugiados. |
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Os professores deviam desenvolver um bom relacionamento de trabalho com as comunidades de refugiados e o ensino da língua materna deveria também ser possível nas instalações das comunidades de refugiados. |
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