GUIAS DE BOAS PRÁTICAS
PARA A INTEGRAÇÃO DE REFUGIADOS
NA UNIÃO EUROPEIA

 

a integração
na União Europeia
sob a perspectiva dos refugiados

PONTES E MURALHAS

 
  AGRADECIMENTO
  INTRODUÇÃO
  A INTEGRAÇÃO NO CONTEXTO EUROPEU
  METODOLOGIA - perfil dos entrevistadores, experiência, países
  UMA HISTÓRIA DE INTEGRAÇÃO
  A LÍNGUA E O ACOLHIMENTO INICIAL
  AS AUTORIDADES E A DISCRIMINAÇÃO INSTITUCIONAL
  EMPREGO
  EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO PROFISSIONAL
  SAÚDE
  HABITAÇÃO
  RELAÇÕES SOCIAIS, RACISMO E ESTRATÉGIAS PESSOAIS DE INTEGRAÇÃO
  ONGs e ORGANIZAÇÕES DE REFUGIADOS
  NACIONALIDADE E CIDADANIA
  O FUTURO
  OBSERVAÇÕES FINAIS
  ANEXO 1 - Lista dos refugiados entrevistadores e organizações envolvidas
  ANEXO 2 - Guião de entrevista semi-estruturada


 

Agradecimento


A Task Force do ECRE para a Integração e os investigadores que com ela colaboram querem, em primeiro lugar, agradecer aos refugiados que aceitaram ser entrevistados nos 15 Estados-Membros. Por razões óbvias, são depoimentos anónimos, ainda que falem por muitos outros que partilham o mesmo destino e as mesmas experiências na Europa. As suas vozes são as que carecem ser ouvidas por todos aqueles que preocupam com os refugiados, sejam políticos ou técnicos. Em seguida, os nossos reconhecimentos e agradecimentos vão para as ONGs que identificaram os entrevistadores para este projecto, disponibilizando-lhes tempo, espaço e apoio. Estamos em dívida, obviamente, para com os entrevistadores, também eles quase todos refugiados, que mostraram interesse e entusiasmo pelo projecto e que, apesar dos seus próprios problemas, se empenharam de forma construtiva e, bastantes vezes, com grande acuidade. Uma das recompensas da sua participação traduz-se numa maior compreensão dos seus próprios problemas e dos problemas dos outros e, simultaneamente, alguns deles, fizeram novos amigos. Em quarto lugar, os nossos agradecimentos vão para Sara Gaunt, do OCIV, pelo muito trabalho desenvolvido no apoio à formação dos refugiados e em termos organizativos e, ainda, pela sua ajuda na enorme tarefa de análise e produção do relatório.


 

Capítulo 1:
    INTRODUÇÃO


Este relatório baseia-se em material recolhido numa série de entrevistas a refugiados realizadas nos 15 Estados-Membros da União Europeia pela Task Force do ECRE para a Integração. As entrevistas aos refugiados foram concebidas como parte da pesquisa sobre as perspectivas dos refugiados, constituindo um elemento chave do projecto da task force em 1999. O objectivo das entrevistas era reunir informação qualitativa sobre a forma como os refugiados, em cada um dos Estados-Membros, percepcionam a sua própria experiência de vida e a sua adaptação na nova sociedade. As pesquisas anteriores e em curso da task force incidem sobre a forma como as ONGs e os governos abordam a integração dos refugiados e procuram melhorar a integração dos refugiados através da identificação de Boas Práticas e elaboração de recomendações políticas. As entrevistas deram uma oportunidade aos refugiados de contarem a experiência e a história da sua integração. Foi nítido o facto de muitos dos entrevistados demonstrarem uma sensação de agrado e de alívio por contarem a história da sua vida na União Europeia, à sua maneira, e perante um ouvinte compreensivo.

Espera-se que estas experiências contribuam para uma melhor compreensão por parte das ONGs, governos, autoridades públicas e todos os outros que trabalham no domínio da integração dos refugiados, dos obstáculos com que os refugiados se defrontam e que impedem uma integração bem sucedida nas sociedades europeias. Uma outra ambição deste relatório é uma maior sensibilização dos políticos e do público em geral para o potencial que os refugiados têm individualmente para dar e que, frequentemente, se frustra pela falta de oportunidades de participarem e contribuírem significativamente para a sociedade de acolhimento. Cada história é individual e não deve ser interpretada como representativa dos refugiados em geral ou de qualquer grupo de refugiados que vivam num determinado país de acolhimento. Não obstante, podem ser e foram traçadas conclusões gerais acerca do que a integração significa para os refugiados, quais as dificuldades que um refugiado enfrenta e quais as estratégias que adopta a fim de se adaptar e ser aceite na nova sociedade.

O projecto era altamente ambicioso já que envolvia formandos, a maioria sem experiência anterior de pesquisa qualitativa, para efectuarem 10 entrevistas a refugiados que vivem num país da UE da sua própria residência num prazo de três meses. A razão de se usarem métodos qualitativos era evitar o uso de questionários estruturados ou semi-estruturados concebidos por não refugiados, receando-se que fosse omitida informação importante sob a perspectiva dos refugiados.

Uma outra razão era a falta de recursos, tanto em termos de tempo como de dinheiro, para empreender uma pesquisa quantitativa em larga escala. No Capítulo 3 apresenta-se uma descrição mais completa da metodologia seguida.

Houve a intenção de que os próprios entrevistadores fossem refugiados a fim de, primeiramente, assegurar a concordância dos refugiados em serem entrevistados, dado que era mais provável a aceitação se se tratasse de um outro refugiado; em segundo lugar, assegurar que os entrevistados pudessem falar mais abertamente em virtude da outra pessoa também ser refugiada; e, em terceiro lugar, dar trabalho e experiência a alguns refugiados. Assim, no grupo de entrevistadores constavam 12 refugiados, 1 migrante e 3 nacionais da UE, todos com experiência de vida noutros países. (No total havia 16 entrevistadores porque em França o trabalho foi feito por 2 pessoas). Os entrevistadores foram seleccionados por uma organização de refugiados em cada um dos 15 Estados-Membros, em conformidade com os critérios sugeridos pela Task Force. Os nomes e dados sobre estas organizações para eventuais contactos, bem como os nomes dos entrevistadores, podem ser consultados no Anexo 1. Gostaríamos de realçar, mais uma vez, que este trabalho não poderia ter sido levado a cabo sem a ajuda destas organizações que, para além de indicarem a pessoa para realizar as entrevistas, proporcionaram o apoio logístico e moral no decorrer do projecto.

O projecto de pesquisa teve muita sorte porque as pessoas seleccionadas para efectuar as entrevistas eram extremamente válidas e cooperantes, com habilitações académicas de nível superior, que trabalharam muitíssimo bem como grupo e imbuídas de um bom sentido de humor. Desde o princípio que tivemos confiança absoluta na capacidade dos entrevistadores no sentido de responderem ao desafio que lhe foi lançado de realizarem o trabalho num espaço de tempo relativamente curto. As entrevistas foram efectuadas entre o início de Maio e o início de Julho. Ficou bem claro na sessão de trabalho que, embora tivessem que trabalhar muito para concluir a tempo a pesquisa e não tivesse sido fácil, como era de prever, todos os entrevistadores gostaram bastante da experiência. Em particular, aqueles que também eram refugiados e que lutaram para conseguir o reconhecimento profissional e a oportunidade de trabalhar no país de acolhimento, o facto de conduzirem a pesquisa constituiu uma experiência profissional valiosa e um estímulo significativo para a sua auto-estima. Diversos entrevistadores fizeram amigos e, para muitos, esta foi a primeira oportunidade que tiveram de ouvir outras histórias e de perceber que não são os únicos a sentir isolamento e frustração no processo de integração no país de acolhimento. Um dos entrevistadores afirmou:

"Depois de ouvir todas aquelas histórias, percebi que tive mais sorte do que muitos deles, embora, no princípio, pensasse que me encontrava na pior e mais terrível situação".

Uma das grandes dificuldades deste projecto foram os recursos disponíveis; isso reflectiu-se na análise, que não é tão completa como desejaríamos. Esperamos que possa haver mais recursos que permitam uma leitura mais cuidadosa e completa de todo o riquíssimo material originado por estas entrevistas, bem como a eventual publicação do relatório como livro destinado a um público muito mais vasto.


 

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