PORTUGAL

COMO ERA

SÍNTESE

 

O POVO PORTUGUÊS

Há cerca de oito séculos, numa Península Ibérica, indiscutível unidade geofísica, habitada por homens voluntariosos e aguerridos, formou-se, consolidou-se e tornou-se independente, lutando com grandes dificuldades, mas tudo vencendo com determinação e tenacidade, um Povo de características muito diferenciadas e bem definidas.

Foi o Povo Português.

A BASE DO CONJUNTO PORTUGUÊS

Mais tarde, decorridos três séculos, nos quais se confirmou a nacionalidade, esse Povo, insatisfeito no seu limitado espaço territorial e na ânsia de grandeza, desinteressou-se um pouco cautelarmente da Europa e lançou-se, através dos mares, na descoberta do Mundo, em aventura consciente e ponderada, afrontando obstáculos imensos que ultrapassou com as mesmas determinação e tenacidade.

Lançou-se na descoberta do Mundo e descobriu-o. Desde então, adquiriu o conceito do universalismo e do uno, e entendeu e praticou, cada vez com maior convicção, um princípio que Cristo abençoaria. O princípio da aproximação entre os homens; do bom relacionamento entre etnias mais e menos, muito e pouco, desenvolvidas, até à miscigenação; da missionação católica, sem prejuízo da coexistência de outras religiões e crenças; e da conciliação de culturas e tradições, e mesmo da sua fusão.

Foi a base da textura étnico-social do Conjunto Português.

A PLENITUDE DO CONJUNTO PORTUGUÊS

A meio do século XX e já bastante depois da criação, para o Mundo, de um Brasil enorme e indiviso, multirracial e moderno, o Conjunto Português estabilizara nessa maravilhosa textura étnico-social de autenticidade sempre crescente, cuja base se citou, e numa grandiosa estrutura pluricontinental, compreendendo a Metrópole Portuguesa, na Europa, as Províncias Ultramarinas Portuguesas de Cabo Verde, Guiné, S. Tomé e Princípe, Angola e Moçambique, em África, o Estado Português da Índia e as Províncias Ultramarinas Portuguesas de Macau e Timor, na Ásia. Este Conjunto integrava mais de vinte e cinco milhões de portugueses e abrangia mais de dois milhões de quilómetros quadrados. Isto, sem contar com os quase quatro milhões de emigrantes portugueses que, em numerosas regiões do Mundo, se mantinham e expandiam a maneira portuguesa de ser e de viver.

E, para além das referidas textura étnico-social e estrutura pluricontinental, estava, então, iminente o milagre económico, repete-se, estava iminente o milagre económico no Conjunto Português. Milagre com base na economia metropolitana, não muito acentuada, mas factual, sólida, crescente e promissora - crescimento anual de mais de 7%. E já produtora de uma moeda - o escudo - sadia e forte, invejada e desejada em todas as praças financeiras, e já produtora de reservas em ouro e em divisas como nunca as haviamos tido nem viriamos, depois, a ter. Mas milagre com base, também e talvez principalmente, no desenvolvimento espectacular das duas grandes Províncias de Angola e Moçambique, cujas riquezas imensas estavam en fase de adiantado arranque de exploração ou já mesmo em plena exploração - crescimento anual de mais de 9%.

Nas pequenas Províncias, o esforço orientara-se noutros sentidos. Por exemplo, em Cabo Verde não havia analfabetos, na Guiné tinham sido irradicadas as doenças de carácter endémico e em Timor, rodeado de muçulmanos, cerca de 80% da população abraçara o catolicismo.

Também, no Conjunto Português, se situavam posições geo-estratégicas de excepção, quer em termos nacionais quer internacionalmente. Posições sobre e nos Atlânticos Norte e Sul e sobre o Índico.

Ainda, em Portugal, vigorava um regime autoritário, mas cujo autoritarismo era uma necessidade harmónica com os estados de guerra que sucessivamente, e por responsabilidade de outros, se viviam e se viveram - Guerra de Espanha, 2ª Grande Guerra, preliminares da Guerra Ultramarina de 1961/1974 e esta Guerra Ultramarina de 1961/1974. Porém e mesmo assim, esse autoritarismo era limitado e condicionado pelo Direito e pela Moral Cristã. O regima conferia, deste modo, a Portugal, ao Conjunto Português, a qualidade de Estado de Direito e, consideradas certas especificidades étnicas, religiosas e culturais, a qualidade de Estado de Moral Cristã.

E, muito importante, Portugal era um País pleno de dignidade, com uma política e uma administração dignas, e com dirigentes e populações igualmente dignas, em termos internos e na sua projecção externa. Tal dignidade era conhecida e reconhecida pela Civilização, como o mostravam os termos das relações internacionais em que o País e os portugueses tinham e mantinham. Como casos pontuais, podem citar-se a integração e permanência de Portugal: na OTAN, a partir de 1949, data da sua fundação; na AIEA, a partir de 1957, data do início do seu funcionamento; e na EFTA, a partir de 1959.

Kaúlza de Arriaga