COSTA GOMES E ANTÓNIO SPÍNOLA

PERANTE A ACÇÃO EM MOÇAMBIQUE

DO GENERAL KAÚLZA DE ARRIAGA

LIVRO – "PAÍS SEM RUMO", António de Spínola

 

MOÇAMBIQUE

Não conhecia Moçambique. O meu juízo sobre o seu ambiente humano era, portanto, imperfeito e o conhecimento da situação militar baseava-se, exclusivamente, em informações oficiais. Em contrapartida, o General Costa Gomes, não só por ali ter estado em funções de alta chefia militar como pelo cargo de Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas que desempenhara no anterior regime, afirmava-se profundo conhecedor do ambiente local, pelo que nele me apoiava em tudo o que se referia à descolonização daquele território. Em seu critério, a situação era crítica e havia-se agravado sensivelmente nos últimos três anos - 1970/1973 - (1).

 

(1) De acordo com as afirmações posteriormente produzidas por representantes qualificados da FRELIMO, este juízo da situação militar de Moçambique carecia de fundamento. Segundo esses representantes, a FRELIMO atravessara duas fases críticas: em 1970, estivera à beira do colapso no final da operação "Nó Górdio", devido ao volumoso número de baixas sofridas, e, em 1974, quando do desencadeamento da "Revolução de Abril", atravessava uma fase grave de desmoralização, motivada por dificuldades insuperáveis de recompletamento de efectivos, cansaço e hostilidade das populações, o que os levou a afirmar que a "Revolução de Abril" tinha apanhado a FRELIMO em fase crítica de desequilíbrio e que esta devia exclusivamente ao MFA a sua recuperação.