"O 10 DE JUNHO"

O Dia de Portugal

A meio do século XV, os Portugueses apertados, diria "encurralados", no seu território europeu, a pequena faixa ibérica, anseavam por espaço, espaço onde pudessem expandir-se e expandir a sua iniciativa. Espaço que só podiam conseguir no mar e através deste. Consequentemente, lançaram-se na conquista do Oceano Atlântico, até aí o Mar Tenebroso, e através dele, nos Descobrimentos, nos Espantosos Descobrimentos.

E, com elevação e tenacidade, empenharam-se, nas Terras Descobertas, na consecução dos principais três Grandes e Superiores Objectivos:

  1. A Dilatação da Fé Cristã Católica – promovendo e garantindo a Missionação.
  2. A Obtenção de Riqueza – substituindo os árabes no Grande Comércio Internacional.
  3. E, sobretudo, a Fantástica Criação de um Mundo Novo, no qual se pudessem realizar plenamente, – marcando, como símbolo de tamanho objectivo, o baptismo, com os nomes de Adão e Eva, do primeiro rapaz e da primeira rapariga nascidos na ilha da Madeira, até então desabitada; e estabelecendo, como base de vida e de acção, em todas essas Terras, uma maravilhosa textura étnico-social, de aproximação e harmonia entre os homens, de bom relacionamento entre etnias, mais e menos, muito e pouco, desenvolvidas, entre etnias com diversas religiões e credos e com diferentes culturas e tradições, e até, mesmo, uma textura de miscigenação.

Foi a extraordinária Epopeia Portuguesa. Foi o Maior Feito de Portugal. E foi a origem do Prodigioso Conjunto Português, euro-afro-asiático, vigente até ao "25 de Abril de 1974".

Luís de Camões, além de poeta, de poeta excepcional, foi quem melhor, por forma mais completa e com superior patriotismo, interpretou, sentiu e descreveu, para o presente de então e para todo o futuro, essa Epopeia, a Epopeia Portuguesa. Foi quem com a maior altura a celebrou.

É, assim, inteiramente acertado e de justiça plena, que o "Dia de Camões" seja o "Dia de Portugal".

 

O Conjunto Português

A meio do século XX e já bastante depois da formação, para a Humanidade, de um Brasil enorme e indiviso, multiracial e moderno, o Conjunto Português estabilizara-se na referida maravilhosa textura étnico-social, de autenticidade sempre crescente, e numa grandiosa estrutura pluricontinental, compreendendo a Metrópole Portuguesa, na Europa, as Provícias Ultramarinas Portuguesas de Cabo Verde, Guiné, S. Tomé e Princípe, Angola e Moçambique, em África, o Estado Português da Índia e as Províncias Ultramarinas de Portuguesas de Macau e Timor, na Ásia. Este Conjunto integrava mais de 25 milhões de portugueses e mais de 2 milhões de quilómetros quadrados. Isto sem contar com os quase 4 milhões de emigrantes portugueses que, em numerosas regiões do Mundo, se mantinham e expandiam a maneira portuguesa de ser e viver.

Também, estava iminente o Milagre Económico Português, com base na economia metropolitana, factual, sólida e crescente, e com base, talvez principal, no desenvolvimento espectacular das Províncias de Angola e Moçambique. Nas pequenas Províncias, o esforço orientara-se noutros sentidos: em Cabo Verde, não havia analfabetos; na Guiné, tinham sido erradicadas as doenças de carácter endémico; e em Timor, rodeado de muçulmanos, cerca de 80% da população abraçara o catolicismo.

Ainda, no Conjunto Português situavam-se posições geo-estratégicas de excepção, quer em termos nacionais quer internacionalmente. Posições sobre e no Atlântico Norte e Sul e sobre o Índico.

Tal Conjunto foi bem a Grande Obra do Génio Português.

 

O Dia do Combatente

Mas a construção do Conjunto Português não foi sempre pacífica. Surgiu a reacção árabe, surgiram numerosas invejas europeias e até se verificaram algumas incompreensões africanas. E Portugal teve de recorrer aos seus guerreiros e aos seus heróis, isto é aos seus Combatentes, para continuar e consumar o seu Conjunto. Este ficou sendo Obra, não só do Génio, mas também da Valentia.

Com o nascimento do Comunismo, verificado na Rússia, transformada em URSS, com a II Grande Guerra que elevou esta URSS a super-potência, dominando a Europa de Leste, e, ainda, com o aparecimento e sucesso do Maoismo na imensa China Continental, formou-se um bloco anti-ocidental agressivo. Este bloco, na sua posição ofensiva contra os EUA e a Europa do Centro e do Oeste, utilizava uma estratégia directa, que nunca ultrapassou o estado potencial, e uma estratégia indirecta, que frequentemente se manifestou em termos de acção.

Entre os objectivos importantes de tal estratégia indirecta, contava-se o controle, pela URSS e pela China Continental, da África Austral, sede de minérios essenciais ao Ocidente e área de onde se podia interferir no petróleo vindo, para o mesmo Ocidente, do Golfo Pérsico. O plano de acção visando esse controle continha três fases. A primeira, satelização dos territórios imediatamente a Norte da África Austral, hoje, Congo, Zaire, Zâmbia e Tanzânia, logo se realizou. A segunda, domínio de Angola e Moçambique, deu lugar à guerra subversiva contra Portugal de 1961- -1974. A terceira, domínio da RAS e da, hoje, Namíbia, não chegou, então, a verificar-se.

Sendo Angola e Moçambique territórios fundamentais do Conjunto Português, Portugal teve, mais uma vez de recorrer aos seus guerreiros e heróis, isto é, aos seus Combatentes. E estes, também mais uma vez, se houveram magnificamente, sustendo, durante 13 anos, a ofensiva inimiga, tendo, mesmo, vencido, em termos de contra-subversão e naqueles territórios, uma guerra contra a URSS e a China Continental, e, simultanenamente, desenvolvendo-os em todos os campos e promovendo aceleradamente as suas populações. Foi a guerra de 1961-1974.

Foi Feito Maior dos Combatentes, só interrompido pelo "25 de Abril de 1974".

E, nesse período de 13 anos, o Conjunto Português continuou, como sempre, Obra do Génio dos Portugueses e da Valentia dos seus Combatentes.

Igualmente, aqui, é inteiramente acertado e de justiça plena que o "Dia de Portugal" seja, também, o "Dia do Combatente".